As inundações e o impacto histórico social na América Latina
- Portal Abya Yala
- 2 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
Por Luiza Lima

Governo do México gerencia plano de resposta para dar suporte aos cidadãos afetados. Foto: Reuters
Os primeiros dias de outubro foram marcados por fortes chuvas, mortes e devastação causada por inundações no México. Foram 55 municípios afetados no estado, 16.000 residências danificadas, vítimas fatais, 42 comunidades com acesso limitado, 25 rodovias afetadas e 51 deslizamentos registrados. Essa conjuntura levanta debates relacionados à como as condições climáticas desafiam o equilíbrio social do continente latino.
Miriam Santini de Abreu, jornalista ambiental e especializada em Educação e Meio Ambiente, nos explica como a infraestrutura da América Latina parte de planos mal planejados e executados e que, com isso, o continente se torna mais suscetível às catástrofes naturais. A desigualdade social expõe comunidades mais pobres à posições de risco, construções instáveis, afastamento dos grandes centros e suscetibilidade às tragédias.
Paralelamente, a exploração da rica biodiversidade dos países latinos - focada em capital - propicia a desarmonia de relações entre humanos e natureza. “Em todo o continente, as cidades cresceram sem planejamento, o que agravou problemas sociais e ambientais. O principal fator que explica o impacto violento dos eventos climáticos na América Latina é a desigualdade no acesso ao território. As melhores porções de terra estão concentradas nas mãos de poucos, e essa exclusão territorial é o que torna o continente tão vulnerável diante das mudanças climáticas”, complementa a especialista.

Pessoas na rua após chuvas torrenciais. Foto: Reuters
Outra questão observada pela jornalista ambiental, não só no recente caso do México, como também nas enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, é a incipiência de ferramentas capazes de prever eventos da natureza, assim como inexistência de projetos para calcular ações de contingência e proteção das cidades.
Esse despreparo dos países latinos os coloca em posição de dependência em relação aos países imperialistas e hegemônicos. “Daí a importância da cooperação internacional latino-americana para diminuir a nossa dependência tecnológica em face das possibilidades de combate que nós temos”, argumenta Miriam. Historicamente, o nosso continente é pouco eficiente em planos e prospecções de independência dos sistemas financeiros consolidados e regimes políticos em vigor pelo mundo.
A influência dos países hegemônicos nesses casos latinos de calamidade ainda se estende ao mercado de mídias e veículos de comunicação tradicionais. Segundo Miriam, a sua pouca fé em muitos veículos surge do modo como o mercado de mídias internacionais monetiza as informações dos eventos e catástrofes naturais, resultando no silenciamento das vítimas e manipulação do público com base no objetivo capitalista e exploratório sobre as regiões latinas.
Ainda, sobre perspectivas do futuro, a especialista sugere que a união dos grupos sociais pode ser a solução para problemáticas como essa. “Para a população, especialmente às comunidades empobrecidas e vulneráveis, a palavra é ‘organização’. Só com solidariedade e ação coletiva é que se pode transformar algo. Na solidão, ninguém muda nada”, finaliza Santini.
Este texto foi produzido para a disciplina da Professora Doutora Maria Cristina Gobbi. O grupo é formado pelos alunos do quarto semestre de Jornalismo da Unesp Bauru: Bruna Tímaco, Isabela Oshiro, Júlia França, Livia Queiroz, Luana Lara, Luiz Elisbão, Luiza Lima, Marina Longhitano e Melissa Inoue.





Muito bom. Parabéns.