Conflitos entre Venezuela e EUA se intensificam
- Portal Abya Yala
- 26 de set. de 2025
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Escalada da tensão mobiliza população em milícias e movimentos militares
Por Grupo 4 - João Pedro Coelho e Guilherme Barbeito

Ataques americanos
Após ataques à três embarcações venezuelanas, os Estados Unidos mobilizam unidades militares ao sul do Caribe e intensificam às tensões na região. O presidente americano Donald Trump afirma que as três embarcações carregavam drogas no litoral venezuelano, e que foram alvejadas e abatidas pela força norte-americana. Além disso, dez caças, sete navios de guerra e um submarino nuclear, acompanhados de 4 mil fuzileiros navais e marinheiros foram enviados para a região.
O líder americano afirma que a mobilização se trata de uma ação em combate ao tráfico de drogas e ao narcoterrorismo, e que com isso busca erradicar o tráfico que chega ao seu país. Especialistas julgam a força como desproporcional, uma vez que esses traficantes utilizam de embarcações simples e rudimentares, e que na verdade se trata de passar uma mensagem.
Segundo Valentin Kondratiuk, estudante de Relações Internacionais na Unesp e pesquisador sobre a Venezuela, essas ações servem apenas para mostrar os americanos demonstrarem poder e influência na América Latina.
No entanto, Kondratiuk entende que não é provável que os EUA usem sua força militar. “Seria uma ação muito custosa e que não se resolveria rapidamente”, analisa.
Respostas Venezuelanas
Por meio da TV Estatal, o Ministro da Defesa Vladimir Padrino López anunciou que o país iniciou exercícios militares em resposta às ameaças dos Estados Unidos. A operação intitulada “Caribe Soberano 200” ocorre na ilha La Orchila, onde está uma base da marinha venezuelana.
Segundo o vice-almirante da Marinha venezuelana, Irwin Raúl Pucci, os exercícios contaram com 12 navios militares, 22 aeronaves e 20 embarcações de pequeno porte, pertencentes à Milícia Especial Naval, ao longo da extensão de 3 dias.
Enquanto isso, os populares se mobilizam para defender seu país. Nos últimos meses, campanhas de alistamento em massa foram amplamente adotadas pela população.
Para Valentin Kondratiuk, as ações dos Estados Unidos contra a Venezuela criam um sentimento de “resistência” que motiva o nacionalismo entre os venezuelanos.
O que é a Milícia Bolivariana?
Criada por Hugo Chávez, no final da década de 2000, a milícia bolivariana venezuelana funciona como grupo paramilitar, idealizada para conter momentos de crise. Inicialmente batizada de Comando Geral da Reserva Militar e Mobilização Nacional em 2005 e mais tarde renomeado em 2009, o grupo passou a ter um papel mais expressivo após a morte de Chávez em 2013. Sob o governo de Maduro, o grupo passou a integrar a estratégia interna da defesa e intensificou o recrutamento.
Em 2020, passou a ser oficialmente incorporada como braço militar das Forças Armadas e é composta majoritariamente por aposentados e idosos, mas também por uma parcela de jovens. Além da atividade militar, o grupo também desempenha papéis como o controle territorial, salvaguarda de programas sociais e já foi acionada para acompanhar processos eleitorais.
Nicolás Maduro vale-se do apoio de tais milícias para sustentar seu posicionamento contra os Estados Unidos, e convocou seus integrantes para defender a Venezuela das ameaças norte-americanas. O líder venezuelano afirma contar com 4,5 milhões de milicianos em seu contingente, mas especialistas questionam esse número. O número representaria quase 20% da população total do país, quantia considerada irreal, mas que não se trata de um número aleatório. No momento existe uma campanha pressionando todos os funcionários públicos a se alistarem como integrantes da milícia para inflar os números, e daí viriam os 4,5 milhões.
Mesmo assim, a milícia ainda seria pouco especializada e dificilmente teria mantimentos suficientes para todos. Da parte dos EUA, a CIA, agência de inteligência americana, calcula algo em torno de 225 mil combatentes realmente ativos, e que os discursos de Maduro não passam de uma retórica para se sustentar em meio ao conflito.
Histórico entre as nações
As tensões entre os países não são novidade, uma vez que o sul do caribe já destacava a atenção dos EUA desde 1999, quando Hugo Chávez assumiu o poder na Venezuela. A região despertava interesse dos Estados Unidos pela riqueza de recursos naturais, mas Chávez mantinha uma postura abertamente anti americana, e valia-se do controle do petróleo para guiar as relações políticas.
Além dos entraves diretos com os norte-americanos, a Venezuela estreitou laços com os demais países membros da OPEP (Organização dos países exportadores de petróleo) e se aproximou de nações consideradas rivais pelos EUA, como o Irã, a Rússia e a Bielo-Rússia.
A situação acirrou-se após a Venezuela acusar o governo Bush de apoiar a tentativa de golpe de estado em 2002. Outros episódios como o rompimento do programa de intercâmbio militar em 2005 e a expulsão de embaixadores em 2008 e 2013 por ambos os lados também serviram para abastecer o clima hostil entre as nações.
Já no governo de Nicolás Maduro as tensões seguiram escalando. Seguindo o chavismo, o atual líder da Venezuela se mantém firme em oposição aos EUA.
Em 2024, Maduro afirmou em discurso que “os EUA devem enfiar o nariz para fora da Venezuela porque é o povo quem governa e decide em sua terra”.
Do lado americano, Donald Trump têm estranhamentos com os venezuelanos desde que assumiu a presidência dos Estados Unidos. Em 2017, por exemplo, comentou uma “opção militar” para a Venezuela e em 2020 acusaram formalmente Maduro de narcoterrorismo.
Atualmente, Trump acusa Nicolás Maduro de ser o chefe de um cartel de drogas, justificando a mobilização militar que acontece no caribe e a recompensa de 50 milhões de dólares por informações que levem à prisão ou condenação do chavista.





A matéria está ótima. Sugiro tirar as imagens das agências de notícia. Normalmente elas não cedem para uso acadêmico, então cai no direito autoral.