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Consequências do Plano Motosserra para a população Argentina

  • Foto do escritor: Portal Abya Yala
    Portal Abya Yala
  • 3 de out. de 2025
  • 4 min de leitura

Cortes de Milei na educação, na saúde e em cargos públicos causam revolta nos trabalhadores afetados


Por: Grupo 5 - Alice Burégio e Isabela Nascimento


Argentinos em protesto contra corte (Foto: CNN Brasil)


Em outubro de 2023, Javier Milei venceu a corrida eleitoral na Argentina com a promessa de acabar com o problema de anos do país, a crise econômica. A proposta que mais repercutiu foi o “Plano Motosserra”, que visava equilibrar as contas públicas e controlar a inflação a partir de uma série de cortes públicos, desvalorização da moeda, aumento de impostos e outras medidas radicais. 


Após um pouco mais de um ano de governo, o país sul-americano viu a economia melhorar lentamente, as reduções no orçamento fizeram diferença e o peso argentino começou a melhorar. Mas, tudo mudou com a chegada do segundo semestre. O governo se viu na mesma posição que iniciou em 2023, cheio de problemas econômicos e políticos e a interferência do Banco Central. A questão que fica para os argentinos é: como outras áreas foram afetadas negativamente para que este desastre ocorresse. 


O problema do governo anterior, administrado por Alberto Fernández, era a hiperinflação, que no final do seu mandato no governo atingiu o pico de 211,4%. Na gestão Milei, a inflação chegou em 117,8%, cumprindo seu objetivo de diminuir os grandes números por conta das políticas aplicadas no país. Apesar dessa melhora, outras áreas, principalmente voltadas à sociedade, como educação e saúde, sofreram consequências diretas. 


Um dos métodos utilizados para baixar os altos índices da inflação foi uma série de cortes que afetam, claramente, a população argentina. Desde o fim de 2023, o presidente já eliminou mais de 50 mil cargos públicos e encerrou inúmeros benefícios afetando 27 mil pessoas. As províncias perderam metade dos seus repasses, os subsídios das indústrias de energia e transporte foram eliminados e as previdências, universidades, órgãos científicos e culturais também tiveram cortes significativos.


Placa de protesto contra cortes (Foto: getty images)


Efeitos da motosserra de Milei

Estas mudanças trouxeram resultados negativos para os argentinos, como o atual aumento na taxa de desemprego e os índices assustadores de pobreza. Seus cortes cobraram o preço. Em entrevista ao Valor Globo, o economista Eduardo Levy Yeyati, professor da Universidade Torcuato Di Tella, disse que “O governo assumiu com uma bandeira, que era baixar a inflação, e se dedicou a isso às custas de outros objetivos. E é isso o que interessa para a população, o que aparece nas pesquisas”. 


Diante dessa realidade, a população do país começou a ir às ruas para protestar, como forma de demonstrar as suas insatisfações com as decisões tomadas. As manifestações estão ocorrendo desde o início deste ano, em defesa às universidades e à saúde pública. Médicos, residentes e enfermeiros realizam paralisações e protestos há meses contra os cortes, porém, após os planos atingirem o Hospital de Pediatria Garrahan, os funcionários começaram a se movimentar ainda mais contra o governo. 


Desde o início de de 2025, as paralisações e passeatas foram frequentes. Os trabalhadores do hospital infantil se mobilizam sob vários lemas como “a saúde não se toca”, “recomposição salarial já” e “o hospital não se toca”. Os protestantes levam essas medidas do presidente como um ataque e um esvaziamento da profissão. 


Seus pedidos são expressados, mas não ouvidos. Mario Lugones, ministro da Saúde de Javier Milei, afirmou em suas redes sociais que o problema do Garrahan nunca foi só de recursos, mas consequências da gestão e eficiência presentes. “Aumentamos o orçamento, eliminamos privilégios e corrigimos desvios”, publica.


Protestantes com placas (Foto: getty images)


Consequências para população

A sua afirmação sobre o aumento de despesas não é vista na realidade. De acordo com a Fundação Soberania Sanitária, “A última atualização orçamentária reflete um aumento de apenas 9,8%. Isso significa que, em termos reais e levando em consideração, a inflação acumulada de 117% em 2024, a perda de investimento do hospital é de 49,59%”.


Os cortes decretados por Milei afetaram a rotina de milhares de argentinos e, para entender essa realidade, o UOL entrevistou moradores de Buenos Aires que tiveram suas vidas impactadas pelo ‘milagre econômico' do presidente. 


Christian Bialogurski, de 35 anos, e Julieta Battaglia, de 43 anos, são exemplos disso. Mesmo sendo de setores diferentes, sentiram os cortes em suas vidas. Para o setor público e Christian Bialogurski, de acordo com relatório da consultoria local CTA Autônoma, os salários caíram mais de 15% no ano após a chegada de Milei, já no setor privado o salário supera a inflação, aumentando cerca de 3,3% em termos reais. 


Bialogurski conta que todo mês é preciso escolher entre se alimentar ou economizar. “Não é suficiente. Não me sobra dinheiro até o dia 15 do mês. Às vezes peço comida à minha mãe (…) Você tem que suportar a fome”. Para Julieta funcionária do setor privado, essa escolha não é uma pauta frequente. “Os salários não são suficientes e é difícil pagar as contas, mas a queda da inflação nos últimos meses trouxe mais previsibilidade em relação às despesas. Agora, pelo menos, os preços não aumentam toda semana”.


Diante desse cenário espantoso para os cidadãos, o presidente disse em um discurso na televisão aberta do país que “o pior já passou”, sobre a crise econômica. Ele ainda prometeu aumento de gastos nos setores mais impactados - saúde, educação, aposentadorias e pensões por deficiência- pelas suas políticas para 2026. O questionamento que fica é, as novas mudanças foram escolhidas para ajudar a população ou pela insegurança de não conseguir ter os mesmos resultados na reeleição?







 
 
 

1 comentário


Maria Cristina Gobbi
Maria Cristina Gobbi
19 de dez. de 2025

Excelente material. parabéns ao grupo.

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