FARO JORNALÍSTICO
- Portal Abya Yala
- 23 de nov. de 2025
- 7 min de leitura
Conheça o Peru e as características que fazem esse país latino americano ser único.
Por Bruna Tímaco, Isabela Oshiro, Júlia França, Livia Queiroz, Luana Lara, Luiz Elisbão, Luiza Lima, Marina Longhitano e Melissa Inoue
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O país
A República do Peru é um país latino-americano localizado na costa oeste do continente, tendo sua capital na cidade de Lima. Em seu território, de 1.285.220 km², habitam diversos povos nativos americanos, com destaque para os incas, sendo sua população predominantemente formada por indígenas.
O aspecto geográfico do país é caracterizado pela diversidade de regiões naturais, que vão desde um litoral árido até o interior equatorial. Além disso, o país conta com parte da Cordilheira dos Andes e da Floresta Amazônica que se estende por suas terras. Historicamente, o território peruano foi invadido e colonizado pela Espanha, resultando em grande perda cultural e apagamento dos povos originários.
Um grande marco do país é a cidade de Machu Picchu, localizada nas montanhas do Peru, ao noroeste da cidade de Cusco. Ela é considerada patrimônio histórico da humanidade e preserva um importante capítulo da história da América pré-colombiana. Entre os idiomas falados pela população de 33 milhões de habitantes estão o espanhol, o quéchua e o aimará. Na Amazônia, existem mais de 70 dialetos. A etimologia do nome “Peru” origina-se de uma palavra quéchua que significa “terra de abundância”, referência à riqueza econômica produzida pela altamente organizada civilização inca, que governou a região por séculos.
Mídia
O panorama midiático peruano é plural, ainda que em Lima predomine uma linha editorial que apoia a coalizão autoritária no poder desde dezembro de 2022. O jornalismo investigativo se destaca na sociedade, atuando principalmente em veículos digitais e sem fins lucrativos, com menor presença na mídia comercial. O jornal mais vendido do país é o tabloide “Trome”, e “Radioprogramas” é o principal noticiário radiofônico. Devido à crise política, grande parte dos peruanos se informa pela mídia local, como rádio e internet, ou por redes sociais como o TikTok, o que resultou em queda de audiência dos canais de televisão. Existem 24 jornais publicados apenas na cidade de Lima, sendo o maior deles o “El Comercio”, com nível de leitura semelhante ao “El Diario”.
A mídia noticiosa peruana exerce grande influência sobre a opinião pública, interferindo também na agenda política e alcançando vasto público. Embora a lei local proíba a formação de monopólios de mídia, limitando o número de licenças de rádio e TV que um operador pode possuir, essa regra não se aplica à mídia impressa. Problemas como concentração de meios e centralização da produção de conteúdo são realidade no sistema de comunicação peruano. As três empresas que, juntas, dominam 84% do mercado são o “Grupo El Comercio”, a “ATV” e a “Latina”, sendo o primeiro responsável por mais de 60% da receita estimada do setor.
Economia
No final de 2024, o Peru registrou um PIB superior a 300 bilhões de dólares, um recorde para sua economia. O país iniciou 2025 com crescimento sólido de 3,9%, e no segundo trimestre ainda alcançou 2,90%. Assim, apresenta evidente avanço e recuperação econômica, sendo a 6ª maior economia da América do Sul. Seu principal setor produtivo é o manufatureiro, responsável por 23% das atividades e composto por pesca, agricultura e mineração (principal atividade econômica do país). Em nível mundial, o Peru ocupa a 49ª posição em PIB per capita. A inflação está em 1,35% (outubro de 2025).
No âmbito interno, o cotidiano dos habitantes não muda muito, mesmo com a redução da pobreza — que se mantém em torno de 30% desde a pandemia de 2020 devido à desigual distribuição de renda. Por essa razão, aliada à instabilidade política, a qualidade de vida e a renda média variam conforme a localidade, embora persistam a precariedade dos serviços públicos e os problemas de infraestrutura. Especialistas afirmam que a independência do Banco Central de Reserva do Peru (BCRP) e sua gestão monetária têm sido pilares fundamentais do equilíbrio econômico do país.
Cultura e sociedade
Caracterizada pela miscigenação entre povos hispânicos e originários, a cultura peruana é rica e diversa, da gastronomia à música e aos costumes. No âmbito musical, destacam-se instrumentos como a quena, o charango e a zampoña, presentes no folclore tradicional.
Quanto à religiosidade, a maioria da população é católica, influência deixada pelos colonizadores. Contudo, práticas sagradas ancestrais seguem presentes, como a cidade de Cusco, que preserva tradições incas em festivais como o Inti Raymi, em honra ao Inti, Deus Sol. A gastronomia peruana é reconhecida mundialmente: o ceviche é um símbolo nacional, e pratos como o “cuy” (porquinho-da-índia) também fazem parte do cardápio tradicional.
O Peru, com sua riqueza cultural e ambiental, sempre foi destino turístico movimentado e considerado seguro, especialmente em regiões como Cusco e Lima. Porém, nos últimos anos, enfrenta forte onda de criminalidade. O governo decretou estado de emergência em 14 distritos das províncias de Lima e Callao, após manifestações de jovens que criticam a escalada da violência e a atuação da classe política. Esta não é a primeira vez que o país recorre à medida: durante o governo de Dina Boluarte, decisão semelhante foi adotada em março, mas teve impacto reduzido segundo analistas. O atual presidente, José Jerí, declarou estar em “guerra contra a criminalidade e a delinquência”, diante do aumento de extorsões e assassinatos no país.
Política interna e externa
A história política do Peru é marcada por inúmeros golpes de Estado e mudanças constitucionais. O governo atual é uma república presidencialista, e o país está dividido em 25 regiões, subdivididas em departamentos, províncias e distritos. No processo político, o voto é obrigatório para cidadãos entre 18 e 70 anos, e o país apresenta amplo espectro partidário, que vai da direita conservadora à esquerda socialista e comunista.
Maximiliano Martin Vicente, mestre em História da América Latina e professor doutor da Universidade Estadual Paulista, comenta fatores políticos do país:
“Historicamente falando, dentro do contexto do Peru, sempre houve revoltas e revoluções muito importantes de grupos indígenas, que mesmo na época da colônia, já brigavam por seus direitos”.
Em 2022, a população elegeu democraticamente Dina Boluarte como presidente. Entretanto, em meio à onda de violência causada por gangues dedicadas a extorsões, a presidente foi afastada do cargo em 10 de outubro de 2025, e o chefe do Congresso, José Jerí, assumiu o poder por sucessão constitucional. Com esse impeachment, o país alcançou a marca de sete mandatos presidenciais interrompidos nos últimos sete anos, reforçando a profunda instabilidade política.
Para contextualizar o fenômeno, o professor afirma: “É um caos econômico. Quando você chega ao poder, você tem um projeto de Estado. E qualquer projeto de Estado, nos últimos tempos, que foi formulado no Peru, fracassou”. Segundo ele, essa inconsistência organizacional gera alto nível de desemprego, forte informalidade e falta de segurança econômica para as empresas.
Nas relações externas, o professor ressalta a importância do Brasil e relaciona a crise política peruana com movimentos populares como as manifestações de 2013 no Brasil e a Primavera Árabe. Ele afirma que, sem representação política efetiva, movimentos sociais não conseguem transformar suas pautas em leis. “O poder de decisão está no Congresso”, completa.
O país terá eleições gerais em 2026, o que provoca incertezas sobre o futuro político. O especialista defende que o Peru deve estabelecer um acordo de governabilidade, ausente no governo atual, e criar mecanismos de participação popular que beneficiem todos os setores sociais.
Além disso, o Peru enfrenta atualmente um cenário crítico de violações aos Direitos Humanos instituídos pela ONU. O principal problema está no corrompimento dentro do Congresso, que, mediante abuso de poder, enfraqueceu garantias democráticas, comprometeu a independência judicial, praticou corrupção financeira, regularizou o desmatamento e ocultou informações sobre investigações relacionadas ao crime organizado. Com o avanço do desflorestamento, as mortes de indígenas aumentam a cada ano. O país não permite o casamento entre pessoas LGBTQIAPN+ nem o reconhecimento legal de pessoas trans, que em maio de 2024, foram classificadas pela então presidente como portadoras de “condições de saúde mental”.
Ademais das violações atuais, há tentativas de apagar crimes passados. Em agosto de 2025, a ex-presidente Dina Boluarte sancionou uma lei que concede anistia a membros das forças de segurança, das forças armadas e de comitês de autodefesa por crimes cometidos entre 1980 e 2002, período de grande violência estatal. O alto comissário da ONU, Volker Turk, criticou a medida, afirmando que ela viola os Direitos Humanos e representa “uma afronta às milhares de vítimas”.

GLADYS DOROTEA CACSIRE BARRIGA
Gladys Dorotea Cacsire Barriga, ou simplesmente Prof. Gladys, para os alunos de engenharia mecânica, civil e de produção aqui da Unesp de Bauru. Uma mulher que não quis revelar sua idade atual, mas se apresenta com um sorriso singelo que esconde a determinação que teve para chegar onde está agora.
Em sua sala no departamento de engenharia, a conversa foi rápida e direta, Gladys saiu do Peru e veio ao Brasil com 28 anos para se tornar mestre e doutora pela USP (Universidade de São Paulo). Antes disso, se graduou na UNALM (Universidad Nacional Agraria La Molina), e ainda diz que foram os melhores anos de sua vida.
Mudou de país sozinha, entretanto não teve dificuldades para se adaptar à nova casa, pois se rodeou de amigos e criou sua rede de apoio, conta. Ressalta que essas novas relações foram a chave para uma recepção e adaptação tranquila.
Revela também que não visitou muito o Peru desde que se mudou, e uma das partes mais difíceis foi ficar longe da família e de sua cultura. Mesmo reconhecendo que há uma comunidade latina imigrante no campus, ela critica a falta de contato pois tal comunidade está silenciosa.
Mesmo sendo discreta, sua presença na universidade mostra a força e a contribuição das mulheres latino-americanas na ciência. A breve conversa termina com a professora se despedindo e voltando o olhar para o computador de sua sala, retornando ao seu trabalho que faz com excelência há mais de dez anos.
Este texto foi produzido para a disciplina da Professora Doutora Maria Cristina Gobbi. O grupo é formado pelos alunos do quarto semestre de Jornalismo da Unesp Bauru: Bruna Tímaco, Isabela Oshiro, Júlia França, Livia Queiroz, Luana Lara, Luiz Elisbão, Luiza Lima, Marina Longhitano e Melissa Inoue.



























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