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Final brasileira na Libertadores expõe disparidade no futebol sul-americano

  • Foto do escritor: Portal Abya Yala
    Portal Abya Yala
  • 31 de out. de 2025
  • 2 min de leitura
Cartaz promocional da final da Libertadores de 2025 (Foto: Divulgação)
Cartaz promocional da final da Libertadores de 2025 (Foto: Divulgação)

Diferenças econômicas e efeitos da pandemia explicam por que o Brasil segue absoluto nas últimas edições da Libertadores


 Por Fernanda Sampaio e Marcela Calarezi 


Na última quinta-feira (30/10), os times que se enfrentarão na final da Copa Conmebol Libertadores da América foram decididos. Palmeiras x Flamengo será o confronto final da competição e o jogo está marcado para dia 29 de novembro, em Lima, no Peru. Essa não é a primeira vez que os dois times se encontram em uma final de Libertadores, já que em 2021 os times se enfrentaram, com vitória do alviverde por 2x1. 


Mas, nos últimos anos, a Libertadores se tornou quase que um “campeonato brasileiro”, visto que em cinco anos, quatro finais foram disputadas entre dois times brasileiros, exceto por 2023, em que Fluminense e Boca Juniors, time argentino, foram os finalistas. A última vez que a final não teve nenhum time brasileiro, por exemplo, foi em 2018, em que River Plate x Boca Juniors se enfrentaram. Há quase 10 anos que o campeonato tem possuído uma hegemonia brasileira. 


Especialistas apontam que a diferença de investimento entre os clubes do Brasil e os demais países da América do Sul é uma das principais causas da discrepância de atuação. Hoje, Palmeiras e Flamengo operam com orçamentos que ultrapassam facilmente meio bilhão de reais, enquanto rivais tradicionais da Argentina, Uruguai e Chile enfrentam dificuldades financeiras, fuga de jogadores e elencos cada vez mais curtos. 


Apesar disso, a competitividade e vontade dos times estrangeiros de vencer a Libertadores não foi afetada. “A Libertadores nunca perdeu o peso, conquistar ela se tornou ainda mais difícil, ainda mais complicado. E ela precisa dos times sul-americanos, não só dos brasileiros, para você ter um valor”, ressalta Raul Moura, jornalista esportivo da CNN. 


Para o especialista, um dos marcos simbólicos da “virada” de poder do campeonato, foi justamente a final de 2018. Isso porque neste ano o confronto entre os dois finalistas argentinos aconteceu em Madri, na Espanha, devido a ataques ao ônibus do Boca Juniors. “Talvez a Libertadores tenha mudado ali. Uma final de Libertadores da América, disputada na Espanha, não faz sentido nenhum. É triste, deprimente”, explica Raul. 


Outro ponto relevante que impactou no campeonato e nos clubes participantes como um todo foi a economia pós-pandemia. O cenário futebolístico mundial gira em torno de financiamento, dinheiro e economia, ou seja, a situação econômica de um país influencia diretamente em como o futebol desse local está funcionando.

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O maior impacto foi na economia pós-pandemia. O futebol brasileiro conseguiu sobreviver a esse momento, se mantendo forte na pegada econômica. Porque em 2020, 2021, 2022 e 2023 tiveram brasileiros nas finais, então são cinco anos com brasileiros direto, seis agora e coincidentemente com a pandemia envolvida aí também. Enquanto os sul-americanos não conseguiram escapar da pandemia, ou melhor, dos efeitos que a pandemia causou financeiramente, os brasileiros conseguiram”, comenta Raul.


A final entre Palmeiras e Flamengo coroa um período em que o Brasil assumiu a dianteira do futebol sul-americano, impulsionado por investimentos altos, estabilidade econômica e elencos cada vez mais fortes. Mas, apesar da hegemonia recente, a Libertadores continua sendo um torneio imprevisível, carregado de história e de rivalidades que atravessam fronteiras.


1 comentário


Maria Cristina Gobbi
Maria Cristina Gobbi
19 de dez. de 2025

Muito bom.

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