Veias Latinas no Mundial de Atletismo: A Performance Inédita no Japão
- Portal Abya Yala
- 9 de out. de 2025
- 4 min de leitura
A força latina brilhou no Mundial de Atletismo em Tóquio. Caio Bonfim e Alison dos Santos confirmaram o protagonismo do Brasil nas provas de pista e rua.
Por Luiz Elisbão
Entre os dias 13 e 21 de setembro, em Tóquio, ocorreu a grande edição histórica do Mundial de Atletismo, onde atletas de todo o mundo se reúnem para disputar os títulos mais cobiçados do esporte. No centro desse espetáculo esportivo, as delegações latinas — com destaque para o Brasil — demonstraram um show de superação e talento, conquistando resultados nunca antes vistos.
Tradicionalmente reconhecido pelo futebol, o Brasil superou as expectativas e alcançou um recorde histórico de medalhas no Mundial de Atletismo de 2023. Já neste ano, o país levou 13 inéditas medalhas, uma combinação de ouro, prata e bronze, que garantiram à delegação brasileira um lugar entre as potências do atletismo mundial.
Fernando Gavini, jornalista e criador do portal Olimpíada Todo Dia (OTD), com anos de experiência como repórter de campo, comenta sobre o que ainda falta para o público brasileiro começar a prestar atenção em outras modalidades.
“Eu acho que alguns países têm mais tradição no atletismo, quando a gente pega um campeonato sul-americano, por exemplo, o Brasil é sempre dominante em todas as categorias. Só que ao mesmo tempo, se a gente olha a nível mundial, a gente não tem a produção disso”
Gavini também falou sobre a nova geração de atletas em ascensão:
"Parece que a gente tá começando a fazer um trabalho para ter mais atletas de ponta. Então, o que tivemos neste mundial, foram dois atletas fora da curva que o Brasil desenvolveu”.
O grande destaque brasileiro foi Alison dos Santos, campeão mundial nos 400 metros com barreiras. O atleta paulista, que já vinha dominando a prova em competições internacionais, confirmou seu status de favorito e levou o ouro com uma performance de tirar o fôlego, estabelecendo o recorde mundial da competição. Conhecido pela sua garra e foco, dedicou a vitória aos jovens brasileiros que sonham em seguir seus passos.
Outro momento de celebração, foi a medalha de ouro conquistada por Caio Bonfim na marcha atlética. O brasileiro, que já havia se destacado em edições anteriores do campeonato, agora finalmente alcança o pódio mundial, colocando o nome do Brasil em evidência.

“Ele já tem bons resultados há muitos anos, não é de agora, até porque ele não é um cara jovem. Porém, parece que nesse momento ele atingiu a maturidade física como atleta, conseguindo resultados incríveis ", comenta Fernando.
Outras Nações Latinas: Desempenho Marcante
Além do Brasil, outras nações da América Latina também marcaram presença no evento. A participação de Cuba no campeonato foi considerada a melhor atuação da ilha nos últimos anos e surpreendeu com o desempenho de seus representantes, conquistando três medalhas, uma de ouro e duas de bronze. Para Fernando Gavini, o resultado sinaliza uma retomada da força cubana na modalidade:
“Cuba sempre foi muito tradicional, teve esportistas incríveis que se tornaram ídolos do país, e eu queria ver Cuba voltando a ter esse tipo de resultado”, afirma o jornalista.
O Chile, por sua vez, foi outro país que teve desempenho significativo. O atleta José Luis González, especialista nas provas de fundo, impressionou ao conquistar o 4º lugar nos 5.000 metros, superando suas próprias expectativas e consolidando o Chile como uma nação crescente no cenário mundial de atletismo.
A Argentina, embora sem medalhas de ouro, contou com a participação de atletas que ficaram entre os primeiros colocados em suas respectivas provas, como a velocista Florencia Borelli, sexta colocada nos 10.000 metros, e o saltador Germán Chiaraviglio, finalista do salto com vara, mostrando que os países latino-americanos estão cada vez mais competitivos.

A Representatividade Latina no Cenário Global
O Mundial de Atletismo deste ano não foi apenas um evento esportivo, mas também uma celebração da representatividade no cenário global. Os países da América Latina mostraram que, apesar das dificuldades financeiras e estruturais, a paixão pelo atletismo e a perseverança de seus atletas podem transformar sonhos em conquistas de nível mundial.
Para Fernando Gavini, os países latinos — em especial o Brasil —, precisam de investimento, dinheiro e reconhecimento para ter resultados.
“O Brasil tem uma dificuldade, e eu acho que é a maior do esporte hoje: o atleta só recebe reconhecimento, dinheiro e investimento depois que tem resultado. A grana que realmente faz diferença só vem depois, e o mais difícil é justamente o caminho até chegar lá”.
O fato de o Brasil, em particular, ter alcançado resultados tão expressivos, simboliza a crescente evolução do esporte no país, alimentada por programas de base, o fortalecimento das federações e a mobilização das comunidades locais em torno do atletismo. Porém, o desafio é continuar a investir na formação de novos talentos e dar o suporte necessário para que esses atletas possam se manter no mais alto nível competitivo, enfrentando as potências tradicionais como os Estados Unidos e a Jamaica.
Este texto foi produzido para a disciplina da Professora Doutora Maria Cristina Gobbi. O grupo é formado pelos alunos do quarto semestre de Jornalismo da Unesp Bauru: Bruna Tímaco, Isabela Oshiro, Júlia França, Livia Queiroz, Luana Lara, Luiz Elisbão, Luiza Lima, Marina Longhitano e Melissa Inoue.




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