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Haiti enfrenta problemas eleitorais por pressão estadunidense

  • Foto do escritor: Portal Abya Yala
    Portal Abya Yala
  • 7 de nov. de 2025
  • 2 min de leitura

Governo interino enfrenta a crise da corrida eleitoral, e a população se preocupa com crise humanitária no país


Por: Grupo 5 - Elisa Brassoroto e Mirela Zinsly


Foto: Presidência do Haiti
Foto: Presidência do Haiti

O atual governo interino do Haiti se vê encurralado, pressionado pelos Estados Unidos para a realização das eleições gerais no país que atualmente vive uma crise nos setores de segurança e Estado.

A pressão começou com Henry Wooster, o encarregado de negócios dos Estados Unidos no país, que, no dia 07 de outubro, via mensagem de vídeo alertou as autoridades do Conselho Presidencial de Transição (CPT), que seus "cargos políticos não são para a vida toda."

A ameaça velada faz jus à pressão internacional, que em abril de 2024 instalou o CPT no poder, com um objetivo definido e um prazo curto, em 22 meses combater a violência de gangues e restabelecer a democracia no país.

No entanto, o fim do mandato vem se aproximando, e não há praticamente nenhum avanço em nenhuma das frentes, a pressão por um pleito eleitoral aumenta cada vez mais.

De acordo com relatórios da ONU, gangues controlam quase 90% de Porto Príncipe, capital haitiana,  onde mais de um milhão de pessoas foram deslocadas à força pela violência, um massacre em dezembro de 2024 deixou mais de 200 mortos e forçou o governo a decretar estado de emergência, até mesmo a cobertura jornalística se tornou uma atividade de alto risco, como comprova o ataque armado em 24 de dezembro que matou dois jornalistas e um policial.

O país ainda tenta se recuperar do devastador furacão Melissa, que deixou mais de 100 mortos, e, nesse contexto, a organização de uma campanha eleitoral é inconcebível.

Diante de todo caos, o presidente do CPT, Laurent Saint-Cyr, tenta mostrar avanços, anunciando que 65 milhões de dólares foram desbloqueados, 85% dos centros de votação identificados e 6,2 milhões de eleitores cadastrados, a imprensa local indica que o calendário eleitoral pode começar em apenas duas semanas.

"Os Estados Unidos têm pressa de que se realizem as eleições para tentar impor um representante seu no poder e não perder o controle", analisa o Prof. Dr. André Roberto Martins, e reforça que "não há condições para eleições limpas e transparentes".

A população vive o constante medo de um golpe antidemocrático em possíveis eleições. O país não conta com processo eleitoral desde 2016, e os últimos tiveram uma abstenção de 79%, um sinal claro da descrença por parte da população no sistema. 

"Desde o golpe contra o presidente Jean-Bertrand Aristide, só temos eleições de fachada no Haiti, onde países como os Estados Unidos ou a França manipulam o processo para colocar governos submissos", explica Elysée Luckner, do Movimento Democrático Popular (Modep) para o Brasil de Fato.

Nas redes sociais, o haitiano Ronel Thermessant expressa um sentimento comum: “Cada vez que ouço falar de transição, fico com medo e tenho vontade de fugir, porque o Haiti corre o risco de passar a vida em transições sem fim".

O governo interino se apressa para apresentar resultados à comunidade internacional, a maioria das organizações populares haitianas vê o processo eleitoral como uma tentativa de mascarar a crise humanitária no país e impor um governo submisso aos Estados Unidos. 


 
 
 

1 comentário


Maria Cristina Gobbi
Maria Cristina Gobbi
19 de dez. de 2025

Muito bom.

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