População argentina se mobiliza frente a vetos presidenciais que prejudicam universidades públicas e atendimento médico-pediátrico
- Portal Abya Yala
- 26 de set. de 2025
- 3 min de leitura
Javier Milei fortaleceu as políticas de austeridade nacionais, vetando leis que ampliavam o orçamento à educação e à saúde pública
Por Grupo 3 - Esther Chahin

Na quarta-feira, 17, milhares de argentinos foram às ruas para reivindicar que o Congresso Nacional rejeitasse os vetos de Javier Milei. Como parte de suas políticas de austeridade, o presidente da Argentina vetou a Lei de Financiamento Universitário e a Lei de Emergência da Saúde Pediátrica e das Residências Médicas, ambas aprovadas pelo Senado em agosto.
A movimentação recebeu o nome de ‘Marcha Federal Universitária’ e reuniu protestantes em todo o país, com maior concentração no centro de Buenos Aires. A Federação Universitária Argentina (FUA), Frente Sindical e o Conselho Interuniversitário Nacional (CIN) foram os responsáveis pela convocação da mobilização.
O que motivou os protestos
Nos dias 10 e 11 de setembro, Milei vetou integralmente a Lei do Financiamento Universitário e a Lei de Emergência da Saúde Pediátrica e das Residências Médicas, respectivamente.
Em boletim oficial, o governo alegou que a lei “aumenta desproporcionalmente o gasto público sem recursos para sustentá-lo” e que provocaria “um desequilíbrio fiscal que compromete a estabilidade macroeconômica” e a “sustentabilidade das contas públicas”.
O texto da Lei do Financiamento Universitário previa:
Reajuste de salários de docentes e técnicos conforme a inflação;
Atualização de custeios;
Verbas para infraestrutura;
Aumento de bolsas oferecidas;
Aumento progressivo do orçamento das universidades de 1% do PIB em 2026 para 1,5% em 2031.
De acordo com relatório do Centro Ibero-Americano para Pesquisa em Ciência, Tecnologia e Inovação (CIICTI) e da Federação de Docentes Universitários (Fedun) – analisados pelo Brasil de Fato – o investimento nas universidades públicas argentinas caiu 22,1% em 2024 e deve recuar mais de 8,6% em 2025.

O que os especialistas pensam sobre o assunto
Para Gisela Pereyra Doval, doutora em Relações Internacionais pela Universidad Nacional de Rosário, o veto de Milei ao aumento orçamentário “representa uma ruptura com o consenso histórico argentino sobre a educação pública como bem comum".
A pesquisadora reforça que, desde a Reforma Universitária de 1918, “a Argentina construiu uma identidade nacional fortemente vinculada ao acesso democrático ao conhecimento, transformando suas universidades públicas em referências regionais”.
Gisela prossegue: “as universidades argentinas não são apenas instituições educativas, mas também espaços de construção cidadã e de mobilidade social“.
Ao Portal Abya Yala, a entrevistada explica: “do ponto de vista libertário (de Milei), há uma preferência conceitual pelos mecanismos de mercado em detrimento da provisão estatal de serviços, inclusive — e principalmente — os educacionais”.
Embora as restrições orçamentárias que o governo argentino utiliza para justificar os vetos sejam reais, Doval frisa que há um desafio analítico em discernir qual das motivações mais move Milei: fiscal ou ideológica.
Atualizações desta semana
No dia 17 de setembro, a Câmara dos Deputados argentina obteve votos o suficiente para a rejeição dos vetos presidenciais a ambas as leis já mencionadas. Porém, para que os vetos de Milei sejam completamente anulados, o Senado também deve votar para tal, com quórum mínimo de dois terços.
Agora, a população argentina aguarda a votação dos senadores, agendada para o dia 02 de outubro deste ano.





Excelente. Adorei a entrevista. Parabéns ao grupo.