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Tuberculose na América Latina e como o sistema carcerário influencia nisso

  • Foto do escritor: Portal Abya Yala
    Portal Abya Yala
  • 13 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 13 de nov. de 2025

Por Clara Yasmim Camara

Foto: Thathiana Gurgel/DPRJ
Foto: Thathiana Gurgel/DPRJ

Sem relatos de um primeiro caso, a tuberculose conta com registros desde o período neolítico na região do Egito, porém a bactéria responsável pela doença só foi descoberta em 1882 na Alemanha pelo Bacteriologista Robert Koch.


Uma doença que alastrou países graças a sua alta taxa de transmissão, seja por uma tosse, um espirro ou até mesmo pela fala, uma pessoa com a bactéria ativa no corpo pode transmitir para terceiros.


Com fácil tratamento, após 15 dias a doença não é mais transmissível, o portador ainda precisa tomar a medicação por no mínimo seis meses para que seja visto como livre da tuberculose, mas muito antes disso já para de ser um problema para sociedade.


O auge de casos havia sido no século XX, mas desde 2015 a América Latina tem um aumento significativo de casos de tuberculose. Países como Colômbia, Brasil e Peru foram identificados como os locais com maior concentração de casos.


Com a explicação dos médicos se faz possível identificar alguns dos motivos pelos quais a doença que se encontrava adormecida por tanto tempo tem feito aparições recentes, e quais os riscos que doenças “antigas” tem na atualidade, mesmo com o enorme avanço na ciência e na medicina.


Um ponto a se ressaltar são as organizações de saúde nesses países, o Brasil por exemplo, conta com um extenso número de serviços públicos voltados para saúde, alguns que são feitos exclusivamente de forma gratuita, como transplantes de órgãos e alguns tratamentos de IST.


Já a Colômbia possui uma das coberturas consideradas mais eficientes no quesito saúde, com uma cobertura descentralizada que mescla serviços “particulares” chamados de serviços contributivos, servidos para aqueles que podem pagar e o subsidiado para pessoas de baixa renda que não conseguem arcar com outros custos.


O Peru por sua vez tem um setor privado muito menor e serviços separados para policiais e para as forças armadas, com uma política que cobre os custos gerados pelo tratamento de trabalhadores empregados por meio da previdência social em uma forma de subsistema.


No ano de 2015 se estabeleceu a linha base do projeto da Organização Mundial de Saúde (OMS), que tinha como objetivo diminuir a incidência e mortalidade da doença, uma vez que em outras regiões do mundo a doença diminuiu sua incidência, na América Latina os casos subiram de 15 a 20% , um dos fatores que agrava este aumento é o encarceramento em massa. 


Com taxas de mortalidade gritantemente destoantes dentro das prisões da América Latina, se comprova que a estrutura precária, a falta de acompanhamento médico, ambientes superlotados e com péssima ventilação são o cenário perfeito para uma doença transmitida de forma tão rápida e fácil.


Pode-se observar isso com base nos estudos feitos pela Organização Pan-Americana de Saúde, que apontam uma porcentagem de 2,8% de pessoas no sistema prisional que vivem com a tuberculose ativa, sem ser tratada adequadamente e sem receber atenção, transmitindo a bactéria dentro dos presídios.


Graças às visitas feitas em prisões, a doença pode se espalhar pelas cidades, uma vez que a pessoa que possui tuberculose no sistema carcerário passa para as outras pessoas devido a má ventilação, estas outras pessoas recebem visitas que entram em contato com a bactéria carregando ela para a cidade em ônibus, carros, em seus trabalhos e assim, o sistema prisional acaba contribuindo para o aumento dos casos de tuberculose.


A América Latina, um conjunto de países conhecido pelo encarceramento em massa, de forma desenfreada, onde cadeias atuam com praticamente o dobro de sua capacidade excedida.


Essa ligação pode ser vista comparando os países com maior índice de superlotação em presídios e os que possuem mais casos de tuberculose, ambos se localizam no mesmo lugar ou em regiões próximas, sinalizando esse agravante do sistema carcerário.


Uma das medidas a ser tomada é a melhora no tratamento para com os detentos, priorizando sua saúde e fornecendo os cuidados básicos, para que doenças como tuberculose e HIV possam ter seus índices diminuídos em países mais pobres e também na América Latina, que a tempos não se preocupa com o risco que o encarceramento em massa pode causar. 



1 comentário


Maria Cristina Gobbi
Maria Cristina Gobbi
19 de dez. de 2025

Tuberculose é um problema sério de saúde pública, mas pouco discutido pela mídia. Parabéns pela escolha da temática.

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